As Profundidades do Ser: explorando a Personalidade, o Ego e a Consciência Espiritual – as visões da Gnose e da Psicologia Acadêmica
A interação entre personalidade, ego e consciência forma um dos aspectos mais complexos e profundos do caminho psicológico e também espiritual.
É importante compreendermos que em termos de psicologia, os estudos gnósticos e acadêmicos oficiais não são opostos, mas sim complementares.
Por possuírem conceitos diferentes e com objetivos distintos nas duas psicologias (acadêmica e gnóstica), Personalidade-Ego-Consciência devem ser bem compreendidos para que possamos bem trabalhar com eles.
A psicologia acadêmica oficial, em suas várias vertentes, normalmente trabalha com a orientação e a terapia que busca o bem-estar das pessoas, objetivando uma vida tranquila, produtiva e saudável. Para isso usa técnicas como o estudo do comportamento, o diagnóstico e tratamento de doenças e distúrbios, e o acompanhamento psicológico.
Por isso, em termos gerais, podemos dizer que a psicologia acadêmica moderna não tem como foco o desenvolvimento espiritual, o despertar da consciência ou “Nous”, como diziam os antigos filósofos gregos quando exaltavam a necessidade da busca da virtude além deste mundo sensorial horizontal e social.
Em outra linha, mais ampla, a psicologia gnóstica é voltada para o desenvolvimento integral do ser humano, partindo da parte espiritual para a mais densa. E para isso na gnose são utilizadas técnicas mais profundas e, digamos, trabalhosas, como a meditação, técnicas psicológicas ativas como a auto-observação e a transformação de impressões, a alquimia sexual, o estudo das vidas passadas e a devoção.
A Gnose tem sua busca psicológica na via vertical, na vida espiritual, sem, obviamente, esquecer do necessário bem-estar e saúde neste mundo psíquico horizontal mais palpável em que todos vivemos.
Por isso que o mestre gnóstico contemporâneo Samael Aun Weor assevera em seu maravilhoso livro “Tratado de Psicologia Revolucionária”:
“Encontramo-nos pois, de instante em instante, diante de dois caminhos: o Horizontal e o Vertical.
É visível que o Horizontal é muito concorrido, por ele andam “Vicente e toda a gente”, “Dom Raimundo e todo mundo”…
É evidente que o vertical é diferente; é o caminho dos rebeldes inteligentes, dos revolucionários. (…)
Quando alguém recorda de si mesmo, quando trabalha sobre si mesmo, quando não se identifica com todos os problemas e penas da vida, de fato vai pelo caminho vertical.
O Trabalho sobre si mesmo é a característica fundamental do caminho vertical. Ninguém poderia pisar o Caminho da Grande Rebelião (contra si mesmo), se jamais trabalhasse sobre si mesmo. O Trabalho ao qual estamos nos referindo é de tipo psicológico; trata-se de certa transformação do momento presente que nos encontramos.
Necessitamos aprender a viver de instante em instante.”
Ao compreender conceitos psicológicos como personalidade, ego e consciência através de uma perspectiva gnóstica, somos encorajados a ultrapassar as limitações tradicionais e explorar a imortalidade da essência verdadeira.
A conquista desse entendimento permite não só um impacto pessoal duradouro, mas também a capacidade de promover mudanças significativas no mundo.
Passemos então à análise gnóstica desses três importantes conceitos da psicologia.
A Personalidade
A personalidade é muitas vezes vista como uma expressão única e imutável de quem somos.
No entanto, aprofundando-se nas abordagens espirituais de Samael Aun Weor e Annie Besant, percebemos a personalidade como uma máscara temporária, desprovida da permanente essência da alma. Este conceito revela camadas de complexidade sobre nossa identidade e o que realmente nos compõe, oferecendo uma nova perspectiva para a transformação pessoal.
Para o mestre gnóstico Samael Aun Weor, a personalidade é uma estrutura transitória, criada e fortalecida nos primeiros anos de vida. Após a morte, diz ele, essa personalidade se desintegra, revelando sua natureza efêmera. A teósofa Annie Besant complementa essa visão ao descrever a personalidade como uma “roupagem mortal”, uma expressão passageira que não reflete a eternidade do Ser. Essencialmente, tanto Weor quanto Besant veem a personalidade como algo horizontal, desta vida, distinta da psicologia acadêmica, algo para ser transcendido no caminho espiritual.
Weor argumenta que nossos múltiplos “Eus” (defeitos psicológicos) se manifestam através da personalidade, utilizando-a como um meio de interação para fortalecer o ego. A personalidade, assim, se torna uma barreira a ser superada para que a essência genuína possa emergir. Ele propõe práticas como a auto-observação e a meditação como meios para dissolver o ego e permitir esse despertar.
Annie Besant apresenta a personalidade como parte dos aspectos temporários do ser humano, coabitando com o corpo físico, astral e mente inferior. Para ela, esses elementos transitórios não expressam nossa verdadeira identidade, mas são necessários na jornada terrena. A essência do Ser transcende essa manifestação, pertencendo ao domínio das esferas eternas e divinas.
Contrastando essa abordagem, a psicologia acadêmica moderna observa a personalidade como dividida entre o Id, Ego e Superego, todos interagindo dentro do contexto de uma única vida. Essa perspectiva não considera o conceito de reencarnação ou a existência de vidas passadas e futuras.
A distinção entre personalidade, ego e essência na abordagem gnóstica apresenta uma jornada transformativa para aqueles que buscam autoconhecimento e evolução espiritual.
Enquanto a psicologia tradicional nos limita a uma visão linear e única da vida, desta existência, a perspectiva espiritual gnóstica nos encoraja a ver além das manifestações temporárias e a focalizar nas virtudes eternas que habitam em nós.
Weor e Besant nos levam a considerar a personalidade não como uma definição estática de quem somos, mas como uma ferramenta passageira que nos auxilia na vida terrena. Na gnose, é feita uma clara distinção entre os aspectos positivos da psique (virtudes) e os negativos (egos), propondo uma autotransformação que liberta a consciência das ilusões do ego.
A prática da auto-observação, da transformação de impressões e a meditação são elementos essenciais para aqueles que desejam trilhar esse caminho. Dessa forma, a alquimia sexual (sexo espiritual amoroso e transmutatório entre esposo e esposa), combinada com a devoção aos princípios divinos e o serviço à humanidade, se torna a chave para a verdadeira transformação interna.
A jornada de compreender e transcender a personalidade, conforme ensinada por Samael Aun Weor e Annie Besant, oferece um caminho profundo para a evolução espiritual.
Superando a visão limitada de uma única existência, somos convidados pela Gnose a explorar as profundezas de nossa essência eterna e a abraçar as práticas que nos levam ao despertar. Esta transformação não apenas nos liberta das ilusões do ego, mas também nos capacita a impactar positivamente o mundo ao nosso redor com maior compaixão e entendimento.
O Ego
A complexidade do ego humano é um tema estudado através dos séculos, da psicologia moderna à antiga sabedoria gnóstica.
Samael Aun Weor traz uma perspectiva única, muito distinta das abordagens comuns na psicologia acadêmica atual. Ao mergulhar nas profundezas do ego, revelamos um caleidoscópio de defeitos que aprisionam a consciência e impedem o despertar para a verdade.
Na gnose, o ego é um emaranhado de defeitos psicológicos que adormecem a essência interior, diferenciando-se radicalmente das interpretações da psicologia acadêmica, que vê o ego como parte integrativa da psique. O gnosticismo propõe a eliminação do ego para liberar a consciência, enquanto a psicologia freudiana ou junguiana considera o ego um elemento necessário para o equilíbrio psíquico.
Nas duas psicologias a palavra EGO tem conceitos diferentes, com manifestações distintas e com consequências também diversas. Por isso que, quanto um gnóstico fala em “eliminar o ego” pode parecer estranho a uma pessoa versada em conceitos acadêmicos formais; por outro lado, se uma pessoa usa a expressão “isso é para nutrir meu ego” para o gnóstico é uma verdadeira heresia. Cada um com sua profundidade e sua terminologia.
Voltando aos milenares conceitos gnósticos, Samael Aun Weor descreve o ego como uma legião de desejos e vícios que aprisionam a consciência, necessitando de observação contínua e práticas transformadoras, como o despertar e desenvolver de Kundalini (energia sexual transmutada), para erradicá-lo.
Em “A Revolução da Dialética”, Weor enfatiza que a convivência com outros reflete nossos próprios defeitos, permitindo o reconhecimento e a eliminação do ego.
Essa abordagem alinha-se a diversas tradições espiritualistas que defendem a transcendência do ego para alcançar a verdade, a realidade última.
A transcendência do ego para alcançar a verdade significa superar a identificação exclusiva com o “eu” (ego) — crenças, medos, desejos e a autoimagem — para perceber a realidade como ela é, sem as distorções da subjetividade. É um processo de “sair de si” (transcender) para atingir um estado de consciência mais elevado, puro e objetivo, sem as distorções de nossa subjetividade, de nossa história e marcas pessoais.
Weor destaca que o ego não é um bloco único, mas sim uma coleção de “Eus” multifacetados, cada um simbolizando diferentes fraquezas e vícios ou pecados humanos.
Através de práticas como a auto-observação e meditação, os gnósticos buscam dissolver essa legião de egos ou eus.
Paralelamente, a força transformadora da Kundalini é vital nesse processo, colaborando para o despertar da consciência e a liberação das virtudes que se encontram ocultas (“engarrafadas” ou dispersas) dentro do ego.
A busca pela autotransformação e pela verdadeira essência é um caminho árduo, mas repleto de potencial libertador.
A visão gnóstica do ego como um obstáculo à felicidade e à iluminação difere da psicologia convencional, mas convida a uma jornada de introspecção e crescimento pessoal sem precedentes.
Tendo como pano de fundo ensinamentos milenares, a eliminação dos defeitos psíquicos é um passo crucial rumo à paz interior e à conexão com a essência divina.
A Consciência
A busca pelo despertar da consciência é um dos pilares fundamentais na jornada espiritual de muitos praticantes ao redor do mundo.
No livro “O Colar de Buda”, Samael Aun Weor nos conduz através dos caminhos de liberação mental e espiritual, desafiando as percepções comuns sobre a consciência e nos incentivando a ultrapassar os limites do ciclo de Samsara, o eterno retorno de nascimentos e mortes.
Samael propõe que a verdadeira revolução da consciência só é alcançada ao se trabalhar com três fatores essenciais: morrer para os defeitos psicológicos, nascer em virtudes e dedicar-se ao sacrifício desinteressado pela humanidade.
Esta abordagem contrasta com a visão tradicional da psicologia acadêmica, que vê a consciência como produto do cérebro e dos sentidos, e não uma expressão mais elevada do nosso Ser.
Nos livros “A Revolução da Dialética” e “O Colar de Buda”, Weor explica que a consciência não é criada pelo cérebro, mas é uma centelha divina obstruída pelo ego.
O processo de libertação da consciência envolve a prática de auto-observação contínua e a aplicação de técnicas esotéricas, direcionadas à eliminação do ego e ao cultivo das virtudes internas. Esse trabalho profundo visa desconstruir as ilusões que distorcem nossa percepção da realidade.
A consciência, conforme a perspectiva gnóstica, é vista como um reflexo das virtudes da alma, conectando-nos verdadeiramente ao nosso Atman, a essência divina interna.
No entanto, a maioria da humanidade vive sem essa percepção direta, mergulhada em preocupações passadas e futuras que ocultam o presente. Os hindus chamam de “Maya” a este mundo ilusório e irreal criado pelo ego.
Samael ensina que nossa verdadeira presença está onde fixamos nossa atenção, e sem essa presença não há autoconhecimento.
Na gnose, a consciência (Manas) é considerada mais do que um estado mental; é um veículo energético que, quando purificado do ego, manifesta um entendimento claro e inalterado pela subjetividade dos sentidos. Essa distinção entre consciência humana e divina é essencial para o despertar espiritual.
O estudo da consciência nos oferece um caminho profundo e enriquecedor para o autodesenvolvimento e a autotransformação.
Ao adotarmos as técnicas e ensinamentos da Gnose Moderna, abrimo-nos para uma compreensão mais rica do nosso Ser, transcendendo as limitações impostas pelo ego e pela percepção mundana.
A jornada para despertar envolve a prática constante e uma atenção dedicada ao momento presente, revelando assim a verdadeira essência e potencial divino.
Você está agora convidado para esta bela e luminosa jornada gnóstica, de sabedoria, tão incentivada e ensinada por mestres de todos os tempos…
Andresa Paula Angonese é empresária e instrutora gnóstica em Erechim-RS
Sérgio Geraldo Linke é engenheiro e instrutor gnóstico em Fortaleza-CE



