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A Filosofia Grega e a Moderna Gnose – 7 Grandes Sábios

A FILOSOFIA GREGA E A MODERNA GNOSE – 7 GRANDES SÁBIOS

A Filosofia Gnóstica:
Na filosofia, a Gnose é compreendida como uma ciência que está além do pensamento meramente superficial, sendo considerada o conhecimento por excelência (revelação), originado da reflexão profunda e da intuição apurada.
Na Filosofia Gnóstica, que caminha sempre junto da Ciência, da Arte e da Mística, podemos encontrar respostas fundamentais para explicar o propósito da existência e a busca sobre quem somos, de onde viemos e para onde iremos.
Por meio do Gnosticismo é possível compreender que a filosofia não se ocupa apenas do senso crítico e racional, mas também e principalmente da análise do intelecto e do sentir do coração, objetivando a vivência dos conceitos e o verdadeiro despertar da consciência.
A Gnose grega antiga partia da percepção espiritual e cósmica transcendente, oriunda de uma busca pessoal e iluminada. Tratava-se da ‘ciência da alma’, que decifrava a ordem do Todo ao identificar o homem como um microcosmo do universo. Essa sabedoria era vivenciada de forma integrada, unindo as esferas divina e terrena, o macro e o microcosmo.
Para os pensadores da Antiga Grécia, a Gnose não era meramente teórica, mas um conhecimento superior e vivencial que se distinguia radicalmente dos saberes vulgares.

Os diferentes níveis de conhecimento humano:
Na Grécia se distinguiam vários tipos de “pensamento” ou de posicionamento pessoal: o mais superficial deles (“Doxa”) era a mera crença, sem estudos profundos ou comprovação, apenas se aceita por dogmas o que uma “autoridade” diz; num segundo nível temos a “Episteme”, que parte da análise meramente reflexiva, lógica, racional; num terceiro e mais elevado nível, alcançado por pouquíssimos, temos a “Gnosis”, que é o conhecimento vivenciado e recebido por revelação (conquista interior).
Por isso que os gregos personificavam a Gnosis numa divindade, Sophia, a Deusa da Sabedoria e símbolo da Alma que anela por sua redenção, que busca sua autorrealização. Sophia virou, aliás, sinônimo de sabedoria, daí a origem da palavra filosofia, literalmente “amor à sabedoria”.
Em uma linguagem atual podemos dizer que à Doxa se alinham as pessoas que seguem apenas textos rápidos e superficiais, irrefletidos, muitas vezes propagados por influenciadores, com interpretações religiosas tendenciosas, redes sociais manipuladoras e monetistas, estendendo-se até a cidadãos que se polarizam em uma ideologia, ignorando o diálogo e a liberdade de pensar do outro.
Já em episteme temos os pensadores científicos, aqueles que seguem cegamente o que uma (muitas vezes rasa) análise lógica indica, ignorando muitas vezes a filosofia e a mística, a intuição.
Entretanto, o piso mais elevado do edifício do conhecimento humano, a Gnosis (sabedoria conquistada, revelada e vivenciada), somente sobrevive em escolas iniciáticas que ensinam o verdadeiro trabalho profundo sobre si, como as instituições gnósticas que seguem a releitura moderna da Gnose Grega estruturada por Samael Aun Weor.
Sobre este aspecto, Samael cita literalmente em seu livro Educação Fundamental: “Nas antigas escolas de mistérios da Grécia, Egito, Roma, Índia, Pérsia, México, Peru, Assíria, Caldeia etc., a psicologia sempre esteve ligada à Filosofia, à Arte objetiva Real, à Ciência e à Religião.”
Por isso é possível constatarmos como a Gnose fundamentou e influenciou as ideias de renomados pensadores como Pitágoras, Heráclito, Platão, Empédocles, Aristóteles, Epicuro e Hipátia.
Ao interpretar as ideias desses luminares do pensamento filosófico ocidental, torna-se possível verificar que a base fundamental de tais pensamentos é o conhecimento gnóstico, revelado, muito além da doxa e da episteme.
Para uma maior ilustração do assunto, citaremos a seguir as principais ideias desses célebres personagens da filosofia grega, correlacionando suas teorias com o estudo e a vivência da Gnose moderna de Samael Aun Weor.

  1. A Gnose de Pitágoras (séc. VI a.C.):Iniciado nos mistérios egípcios, o filósofo e matemático pré-socrático

A conexão entre o pitagorismo e a Gnose fundamenta-se no dualismo psicofísico (alma versus corpo), na imortalidade da alma e na numerologia sagrada como via para a harmonia cósmica. Essa convergência torna-se evidente na busca por um método de purificação místico-intelectual; assim como Pitágoras, a gnose valoriza a experiência direta dos fenômenos universais como ferramenta essencial para o despertar da consciência.
Pitágoras também conectava a matemática e a música, como fazem os modernos gnósticos com o estudo da arquitetura sagrada e do poder de vibração dos mantras ou palavras de poder.

  1. A Gnose de Heráclito (séc. VI a.C.):

 Para Heráclito Deus não tinha a aparência de um homem nem de outro animal qualquer. Em seu pensamento, Deus não era nem criador, nem onipotente. Para ele, Deus não é uma figura antropomórfica, mas a unidade suprema na diversidade, o “Logos” (razão universal) que governa a constante transformação do cosmos.
Em Heráclito vemos modernamente, como com Jung, o conceito da divindade gnóstica de Abraxas, que concebe ao mesmo tempo Luz e Trevas, Bem e Mal, movimento e inércia, criação e absorção. Isso contrasta muito da visão limitada de um Deus Antropomorfizado (na figura humana), apenas bom e de um Diabo sempre mau. Todos fazem parte de um mesmo movimento de razão universal, sempre buscando o discernimento e a evolução do cosmos e do ser humano.

  1. A Gnose de Platão (séc. V a.C.):

Platão, grande filósofo e matemático do período clássico da Grécia Antiga, defendia a existência de dois mundos distintos: O mundo invisível (material, imperfeito e percebido pelos sentidos) e o mundo das ideias (eterno, imaterial e perfeito). Para Platão a verdadeira realidade e o conhecimento seguro residem no mundo das ideias, acessível apenas pela razão, enquanto o mundo sensível é apenas uma cópia imperfeita. Platão buscava transmitir uma profunda fé na razão e na verdade.
Além do mundo das ideias podemos citar o mito da caverna que ilustra a jornada do conhecimento onde a maioria da humanidade vive na ignorância, confundindo as aparências (as sombras projetadas pelo fogo na parede da caverna) com a realidade (o mundo real e externo à caverna), enquanto quem desperta sai da caverna e contempla a luz da verdade. Ilustração clássica onde os prisioneiros (humanos) veem sombras (coisas físicas) na parede, acreditando ser a única realidade, sem enxergar as formas verdadeiras no mundo exterior.
Na visão de Platão, as almas pertencem ao Mundo Inteligível ou Mundo das Ideias (real, imutável, eterno, etc.). As ideias têm uma realidade objetiva, substancial, são o modelo ideal (arquétipos) de todas as coisas que existem no Mundo Sensível, com base nas quais as coisas foram criadas ou tendem a ser realizadas.
Podemos encontrar muitos conceitos da Gnose de Platão no gnosticismo moderno, como a necessidade de integração entre os mundos sensível (material) e sutil (das ideias ou espiritual), bem como a visão equivocada que pode ter o ser humano do mundo e de si mesmo, se ficar somente na “caverna de seus conceitos limitantes”.
Platão também pregava a necessidade do desenvolvimento da virtude para se elevar o nível de consciência desde Eikásico (instintivo), passando pelo Pistoiko (crença e fé cega), Dianoético (racional) até o mais elevado, Noético (espiritual autoconsciente), conceitos muito comuns na gnose contemporânea.

  1. A Gnose de Empédocles (séc. V a.C.):

Seguindo a jornada da filosofia gnóstica chegamos às ideias de Empédocles, um filosofo pré-socrático conhecido por ser o criador da teoria cosmogênica dos quatro elementos. Empédocles introduziu ideias precursoras do gnosticismo, focadas na queda da alma desde os mundos celestes, sua purificação e sua reencarnação. Ele via a alma como um ser exilado do amor, aprisionada em um corpo material.
Para Empédocles, nada nasce do nada e nada se transforma em nada. Ele rejeita a ideia de nascimento e morte como estados absolutos, defendendo que esses processos são meramente a combinação e a separação de elementos preexistentes. Como o “Ser” não pode deixar de existir, a mudança que observamos é apenas uma nova configuração da matéria.
Na gnose de Empédocles vemos desenhados muitos dos conceitos atuais da gnose, como a alquimia dos elementos em sua transformação, a psicologia da mudança por trabalho próprio, o ciclo de existência (vida e morte), na mesma linha que os Vedas chamavam de ciclo ou roda de Samsara à variação existencial em seus ciclos de nascimentos e mortes.

  1. A Gnose de Aristóteles (séc. IV a.C.):

Segundo Aristóteles, renomado filosofo grego, o homem é uma unidade substancial de alma e de corpo, em que a primeira cumpre as funções de forma em relação à matéria, que é constituída pelo segundo. O que caracteriza a alma humana é a racionalidade, a inteligência, o pensamento, pelo que ela é espírito. Mas a alma humana desempenha também as funções da alma sensitiva e vegetativa, sendo superior a estas.
As contribuições da gnose Aristotélica para os ensinamentos gnósticos modernos são importantíssimas, pois com a física e a metafísica de Aristóteles vemos a necessidade da interação entre os mundos material ou físico e sua contraparte indissociável, o mundo invisível ou metafísico (que está além da física).
Para Aristóteles, a interação entre o físico e o metafísico (invisível) indica que a matéria é o campo onde a alma desenvolve suas capacidades, transformando potencial em realidade.
Assim, é no mundo concreto que o ser humano se autorrealiza. Essa perspectiva alinha-se à gnose contemporânea, que vê a experiência cotidiana como um caminho essencial para a evolução espiritual do iniciado. Assim, a vida retamente vivida, é um verdadeiro e valiosíssimo ginásio psicológico para os gnósticos modernos.

  1. A Gnose de Epicuro (séc. IV a.C.):

Epicuro é um dos principais filósofos do período helenístico, desenvolveu uma metafísica implacavelmente materialista, uma epistemologia empirista e uma ética hedonista.
Ele ensinava que os constituintes básicos do mundo são os átomos, partículas de matéria indivisíveis que se movem pelo espaço vazio, e tentou explicar todos os fenômenos naturais em termos atômicos.
A mente deve ser um corpo, pensa Epicuro, devido à sua capacidade de interagir com o corpo. A mente é afetada pelo corpo, como demonstram a visão, a embriaguez e as doenças. Da mesma forma, a mente afeta o corpo, como demonstram nossa capacidade de mover os membros quando queremos e os efeitos fisiológicos dos estados emocionais.
Sob uma óptica moderna, a gnose de Epicuro se situa num hedonismo não ligado somente ao prazer sensorial ou dos sentidos, mas também a algo além: ao regozijo espiritual da vida, em paz e plenitude (consciência), onde o sofrimento vai deixando de existir à medida do aperfeiçoamento moral e psicológico das pessoas, um conceito muito utilizado por filósofos contemporâneos da Gnose, como Samael Aun Weor.

  1. A Gnose de Hipácia de Alexandria (séc. IV d.C.):

Hipácia ou Hipátia ou ainda Hipatia de Alexandria foi uma mulher incrível, uma genial filósofa da Alexandria dos anos 400 d.C.
Vivendo no verdadeiro “caldeirão cultural, comercial e filosófico” que era a antiga cidade portuária egípcia no delta do rio Nilo, Hipácia foi responsável durante muitos anos pela famosa Biblioteca de Alexandria.
A Sábia de Alexandria viveu os constantes e violentos embates entre os defensores da antiga religião egípcia (Serápis), os judeus muito ativos na cidade egípcia, os cristãos que estavam se organizando (a igreja instituída ainda não era forte) e a filosofia grega que dava suas últimas luzes desde 1.100 anos atrás (com Tales de Mileto no século VII a.C.).
Hipácia foi vítima desses violentos radicalismos dos ignorantes fundamentalistas religiosos da época, que por perderem a revelação mística e a filosofia profunda, transformaram a mística filosófica em religião fanática, incitando uma turba de loucos que acabou humilhando e linchando uma das mais luminosas mulheres-gênio de todos os tempos.
Hipácia é conhecida por suas contribuições em muitas áreas, como a astronomia e a matemática. Ela também foi das primeiras heroínas a desafiar as regras de gênero, num mundo machista, tornando-se uma das poucas mulheres a ser reconhecida nas ciências e na filosofia de sua época, promovendo a liberdade de pensamento. Era muito respeitada e professora de reis e de nobres. Também tinha pobres em sua escola.
Como seguidora de Plotino e Porfírio, considerados precursores da gnose neoplatônica, Hipácia adotou a ideia de que o mundo sensível era uma manifestação inferior da realidade superior, que poderia ser entendida por meio da razão e da filosofia, da busca da virtude.
A Gnose moderna de Samael Aun Weor reverbera vários dos conceitos gnósticos de Hipátia, como a igualdade entre o homem e a mulher (em todos os aspectos), a necessidade da busca da virtude e da ética, o uso da ciência dos números para explicar a beleza e a arte da vida e, muito excelso, a conexão entre o macrocosmo astronômico com o microcosmo da alma humana. Esta é a verdadeira busca da realidade superior, tão cara a Hipátia.

Conclusão:
Ao estudar algumas das ideias desses sete sábios gregos e suas profundas relações com a Gnose moderna de Samael Aun Weor, sempre tendo como fonte a Gnosis Universal da Deusa Sophia, não há como não se surpreender com o gênio humano e sua busca pela felicidade, pela virtude, pela Paz, pela cooperação consciente entre os homens e mulheres.
É exatamente isso que fazem as escolas de Gnose Moderna: ensinam ferramentas práticas para a felicidade e autorrealização integrais do ser humano, em todos os seus campos: psicológico, individual, familiar, profissional, social, espiritual, planetário e cósmico.
Então, que tal você buscar uma escola de Gnose e trilhar os caminhos de sabedoria prática que permite ao ser humano rumar ao Divino, como fizeram Platão, Aristóteles e Hipátia?

 

Lucas Zaleski é empresário e instrutor de Gnose em Erechim-RS
Sergio Linke é engenheiro e instrutor de Gnose em Fortaleza-CE

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O QUE É GNOSE?

Gnose vem do sânscrito Gnana e do grego gnôzis, que se latinizou como cognoscere, ou seja, conhecer, como nas palavras diagnóstico, prognóstico etc. Gnose, literalmente, quer dizer “conhecimento” ou “conhecimento superior”. Leia mais

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