PAI-MÃE DIVINO – SUAS FUNÇÕES SAGRADAS (PARTE 2)
Na parte 1 deste artigo que trata dos Mistérios do Pai-Mãe Divino, abordamos a beleza da unicidade da manifestação da criação, manifestando-se de forma complementar e cooperativa em seus lindos aspectos masculino e feminino, estendendo-se pela esfera da criação desde o cosmos sideral até o microcosmo humano.
Continuando nossa jornada na construção de uma sagrada interação amorosa, real e criadora, vejamos agora as Funções do ETERNO MASCULINO DE DEUS e do ETERNO FEMININO DE DEUS.
Todos esses aspectos (masculino e feminino) agem no mundo em todos os cosmos (ordens ou dimensões do universo), e podem se expressar através de 7 funções sagradas.
Assim como as funções do Eterno Feminino de Deus (EFD) estão ligadas à nutrição, à interiorização, à força centrípeta (para dentro), as funções do Eterno Masculino de Deus (EMD) estão ligadas à expansão, ao movimento exterior, à irradiação ou às forças centrifugas, que se expandem, as forças emissoras do universo (a Respiração de Brahama).
Vamos então agora entrar na barca do conhecimento e navegar pelas 7 funções sagradas do Eterno Feminino e Masculino de Deus para poder vislumbrar no horizonte de nossa existência, a terra firme da Sabedoria.
1- GERAR
Vamos imaginar os primeiros instantes da maravilha da criação do universo.
O instante inicial onde nada existia: somente o “Deus desconhecido”, denominado também como Agnosthosteos, Aquele que encerra todo o poder, toda luz, toda escuridão, tudo que foi, é e será.
É o PAI-MÃE – o Imanifestado.
Nesse momento surge então a primeira grande lei do universo que é a vontade de Deus de crear. É nesse instante que esse Creador se divide em PAI E MÃE.
A Mãe é a matéria primordial, o substrato, a atração para amalgamar; já o Pai é a energia primordial, o movimento, a expansão para disseminar.
E o amor que os une é o Espírito Santo Cósmico , o amor do Filho, do Cristo, da vida, da união. Aquele que une, que constroi.
Nessa conjunção perfeita do Pai Cósmico, da Mãe Cósmica e do Espírito Santo Cósmico é que o grande Pai e Mãe exercem sua 1ª função sagrada: GERAR
Gerar a vida no útero de sua amada, e assim crear tudo o que há no universo: os mundos, sóis, planetas…
É aí que se encontra a essencia da Lei da Criação, a Lei do 3 , o gnóstico Triamazikamno – que significa, o três criando através do amor.
Por correspondência no ser humano, assim como o óvulo na mulher aguarda a chegada do espermatozoide para que a geração se efetue, o EFD, a mãe Terra, a mãe planeta, aguarda os raios do Pai Sol para que a vida seja gerada em seu ventre (a Terra).
É lindo imaginar que no plano macrocósmico a função de gerar do EMD implica em irradiação, em movimento, em busca para encontrar o óvulo, encontrar a Terra (e a terra) para que os raios do sol possam penetrá-la. Ele só cria se encontrá-La; Ela só cria se encontrá-Lo.
E a Vontade de Deus é justamente permitir que isso aconteça : “o beijo de amor creador”. Um exemplo prático desse amor pode ser constatado na fotossíntese que é o processo que transforma a energia luminosa do Sol em energia química, transmutando elementos e produzindo oxigênio e açúcares. Nós Seres Humanos e a maioria dos outros seres de nosso planeta somos totalmente dependentes desse ato de amor!
Ao PAI compete buscar, ir além, movimentar, buscar alimento. E é por isso que temos sempre ligado ao homem o arquétipo da caça, o arquétipo de “sair de casa” para buscar o alimento; e o arquétipo de “ficar em casa”, no lar, sempre ligada à mulher, cuja função de nutriz é aguardar o alimento que deve ser trazido pelo macho para assim poder prepará-lo e distribuir à família, ao grupo de seres abrigados pelo lar, seja ele uma casa num bairro simples, uma mansão milionária, a cidade em que moramos, nosso próprio planeta ou todo o Universo com seus bilhões de galáxias.
Claro que são exemplos da natureza como um todo e que se adaptam conforme os costumes etc. Mas queiramos ou não, gostemos ou não, são responsabilidades Universais que temos que assumir perante as Leis e administrar.
Isso não significa que, no âmbito humano, a mulher não possa estender suas funções e o homem não deva ampliar seus deveres.
2- GESTAR e SUSTENTAR
Ao gerar, todo pai sabe que cabe a ele sustentar seu rebento, seu filho.
Portanto, assim como em sua 2ª função a Mãe Divina gesta, ou seja, prepara sua cria no seu ventre, o Pai Divino tem como 2ª função sustentar sua família, sua prole. Trazer o alimento, trazer a luz do Sol, aquecer, trazer aquilo que a Mãe precisa para gestar.
Apesar da vida se desenrolar no ventre da Mãe, é o Pai, no seu sagrado ofício, quem trabalha constantemente para que a vida de seu filho seja provida de alimento físico e espiritual.
A luz do Sol busca a Terra, a penetra, permitindo tanto o início da vida como o sustentar de toda vida. Eis aí o grande segredo da transubstanciação, da eucaristia onde o Pai Sol impregnando com sua energia sagrada o trigo e a uva, sustenta seus filhos no caminho espiritual. Esta é a Liturgia da Vida, a qual, no âmbito das comunidades humanas, pode ser despertada mediante a sábia operação da magia gnóstica.
Essa luz do Pai é o sustento energético, sem o qual nenhuma vida existe, pois, essa é a luz da vida que permite a realização dos processos bioquímicos e fisiológicos em todo ser e que vão ser processados pela Mãe na sua função de gestar.
Da mesma forma é Ele quem alimenta, quem sustenta os nossos processos espirituais sagrados que serão imprescindíveis para nosso crescimento interno.
PAI e MÃE são a unidade múltipla e perfeita, são o 2 em 1 e o 1 em 2 (Duo in Uno – Uno em Nihilo).
Um não existe sem o outro. Eles coexistem em perfeição. Esse é o casal divino!
O nosso alimento espiritual, que o Pai é responsável por trazer, está contido em nossos “genes” sagrados, em nossa chispa divina, onde vive a nossa Tríade Sagrada que nos aguarda e que nos chama.
É ela quem envia seu embaixador (Budhata – semente de alma), e a coloca em nosso mundo interno, com o objetivo de nos lembrar a todo instante que somos reis e rainhas em potência, e que podemos retornar a casa de nosso Pai – basta querer e nos revolucionar (vide parábola do filho pródigo). Esta é a verdadeira Aspiração da Alma ou Propósito Divino da Existência – a Autorrealização Íntima do Ser.
Então, após a criação, como consequência da lei do 3, surge a lei divina chamada Heptaparaparshinok, que significa “organização com o sete”, que é responsável pela administração de toda criação e que veremos na função ORDENAR mais à frente.
3- PARIR E PROTEGER
A Mãe Divina após gestar, pare seus filhos, os traz à luz, os traz à existência.
E esse filho que veio à luz, precisa ser protegido.
Cabe então ao macho, ao pai, proteger sua cria contra os perigos que o cercam.
Nosso Pai Divino tem como função sagrada a nossa proteção interna.
É por isso que na oração do Pai Nosso o invocamos pedindo “livrai-nos de todo mal”. É por isso também que nas Invocações de Salomão invocamos as nossas forças divinas, e nas conjurações dos 7 pedimos a proteção dos Sete Arcanjos.
O Pai Divino é Kether, Aquele que está em tudo e que tudo vê.
Como escreve o grande filósofo Samael Aun Weor: Ele é “o oculto dos ocultos, a misericórdia das misericórdias, a bondade das bondades”.
Ele é o Ancião dos Dias, o primeiro sefirote da cabala de onde emanam todas as demais potências.
É dessa forma que Ele exerce a proteção para todos os seus filhos, de toda a criação; E por consequência Ele é também o responsável por traçar nossos caminhos, com suas provas e desafios, função TREINAR que veremos mais adiante.
4- NUTRIR e INSPIRAR VONTADE – VONTADE CONSCIENTE (THELEMA)
Inspirar significa respirar para dentro em busca de algo que nos complete, e é o Pai Divino quem nos inspira; é Ele que nos ajuda a construir o corpo da vontade consciente.
É Ele que nos dá internamente a capacidade da ação e da vontade para expandir, para ir para frente, para ir para cima. Mas sempre ancorados a Ele internamente.
Enquanto a Mãe Divina nos mantém na segurança do lar, na existência material, no equilíbrio, lutando para nos manter em seus processos, é o Pai Interno quem nos dá o impulso para buscar o novo, nos inspirando na vontade consciente.
Diz uma grande Lei Divina: “fazei o que quiserdes, porém de tudo tereis que prestar contas”
Essa lei faz alusão à nossa liberdade no agir, ao nosso livre arbítrio (que é um dos presentes que recebemos quando entramos no reino humano), mas que deve ser usado sem nos esquecermos de que tudo tem um preço (Lei do Karma e do Darma).
Então, para fazermos bom uso de nosso livre arbítrio, essa consciência no agir deve ser pautada por uma vontade consciente que é fruto de nosso trabalho na autorrealização, no despertar da consciência.
Nosso Pai nos inspira na vontade pelo trabalho divino, nos dando o impulso interno em busca da real felicidade, e só quando o Iniciado (indivíduo que busca voluntariamente o caminho da autorrealização) constrói seu corpo causal, é que será capaz de fazer a vontade de seu Pai, pois terá acessado/edificado seu corpo da vontade consciente que lhe dá a capacidade de exercer o reto agir, o reto pensar e o reto falar.
Diz o sábio adágio: “Amor é lei, porém amor consciente”
Só com o corpo da vontade consciente, que é uma dádiva de nosso Pai, e só assim, é que poderemos realmente amar, vivenciar, experimentar o Cristo.
5- EDUCAR e TREINAR – INSPIRAR CORAGEM E FORÇA
Enquanto a Mãe Divina nos educa, nos orienta, o Pai Interno nos treina. É dele o báculo de poder contido no arcano 9 do Livro de Thot (Tarot egípcio).
É nosso Pai quem nos dá as provas, os desafios do caminho, é Ele quem nos dá as circunstâncias para que possamos ser provados e possamos mudar de nível.
O Pai Divino é aquele grande treinador, grande incentivador para que saiamos para o mundo, saiamos para a expansão, para as grandes descobertas, e para isso necessitamos de coragem e força que são os frutos da fé consciente que só se adquire pelo trabalho consciente pela humanidade.
A fé é dinâmica, é fruto do contato com as Verdades Internas. A fé dogmática não permite o acesso ao nosso Pai Interno. Jorge Adoum menciona em seus livros que “temos que nos divinizar para entrar no reino de Deus”
O Pai traça nosso caminho, nossa Mãe tem a chave, o segredo desse labirinto.
Nossa Mãe tem a função pedagógica de nos preparar para as provas que nosso Pai nos dará.
Diz o Livro de Thot em seu arcano 7: “provas nos dá senhor, mas com elas, fortaleza”
6- MANTER e DEFINIR O CAMINHO – ORDENAR (COLOCAR ORDEM PERFEITA)
A Mãe Divina por sua vez mantém o lar, mantém a natureza (através da lei do trogo-auto-egocrático-cósmico-comum, a alimentação recíproca dos mundos).
Já o Pai Interno é quem coloca ordem em tudo, ele é responsável por ordenar essa natureza através da Lei do 7: o heptaparaparshinok.
Ele é o grande cosmo organizador. É Ele quem coloca ordem em tudo no universo.
“Ordenar” também significa saber dar ordens, saber obedecer.
Devemos sempre obedecer ao Pai, ao que ele nos determina, tanto na Terra quanto nos céus.
Então Ele é o grande Imperador Interior, o grande Rei Interior, o grande Ancião dos Dias, expresso no poder de nos ordenar, nos determinar as coisas, os caminhos e as ações que podemos e devemos seguir.
Mas somente nós podemos trilhar esse caminho interno, e é o Pai que o traça, que o define; e é Ele quem dispõe os instrumentos que devemos usar (lâmina 1 do Livro de Thot).
E nesse caminho a nossa Mãe Divina sempre nos acompanha. É Ela quem possui as senhas para decifrarmos os enigmas das passagens. Ela os conhece e nos inspira para irmos adiante.
O Pai define os caminhos, mas é a Mãe quem possui as chaves.
Por isso devemos sempre fazer a vontade do nosso Pai, pois é Ele quem sabe qual o caminho a seguir e como é a melhor maneira de trilhá-lo, e jamais nos esquecermos de nossa Mãe, pois é Ela que nos dará sabedoria para cumpri-lo.
O Pai conhece as potencialidades de seu filho e o momento certo de fazer o que deve ser feito, e a Mãe confia em seu filho, sempre advogando por ele.
7- ABSORVER e PERDOAR
A Mãe Divina tem a grande função de absorver sua obra ao final de todos os ciclos, de transformar a vida e nos acompanhar em nossos processos de crescimento e mudança.
Já o nosso Pai Interno, o Eterno Masculino de Deus tem o poder da doação, do perdão, de anular as mágoas, de desfazer os vínculos cármicos (a lei que se cumpre).
Só o Cristo e o Pai perdoam, mas é claro que isso só pode acontecer através da Mãe Divina, da sua função transformadora e eliminadora.
Perdoar significa ressurgir, renascer pela água e pelo fogo: a Fênix.
Só é capaz de ser verdadeiramente perdoado aquele que estudou, compreendeu e fez consciência de seus erros, com as firmes ações alquímicas para eliminar os agentes causadores do erros (nossos agregados psicológicos ou defeitos do ego).
Fazer ressurgir as virtudes do Ser através do perdão consciente é função do Eterno Masculino de Deus..
Juntos, Pai e Mãe transformam para crescer, mudar, evoluir, revolucionar.
Agora, queridos leitores, estudando, meditando, compreendendo e vivendo estas 7 Funções Sagradas e complementares, seremos capazes de nos aproximarmos de nossos Pais Internos e construir uma amizade profunda e sincera, sem rodeios e com o coração de crianças pedir ajuda para compreendermos os grandes mistérios do Universo.
“Ninguém chega ao Pai, senão pela Mãe!”
Heloisa Pereira Menezes é nutricionista, profissional de logística do
mercado financeiro e instrutora de Gnose da Associação Gnóstica de Fortaleza.