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28 jun 2014

Os Mistérios do Santo Graal e a Copa do Mundo

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OS MISTÉRIOS DO SANTO GRAAL E A COPA DO MUNDO

 

O Chamado Cálice Sagrado, Santo Graal ou Taça Gloriosa sempre esteve presente na mitologia e na história de diversas religiões.

Desde as cenas egípcias, gregas e romanas dos banquetes dos deuses, passando pela narrativa Bíblica de Abraão, que pagou os dízimos e compartilhou do cálice sagrado com  Melquisedeque, Rei de Salém e Senhor da Paz (Senhor do Mundo, para alguns estudiosos), ou nos ensinamentos tibetanos do Vaso Compassivo da Divina Mãe Kuan-Shi-Yin, ou ainda permeando o lendário medieval das histórias do Parsifal inspirador de Richard Wagner, este arquétipo do Gomor ou Receptáculo Sagrado sempre esteve envolvido em  mistério e sacralidade.

A Taça Sagrada teve seu ápice para o mundo ocidental na Última Ceia de Jesus, quando na quinta-feira Santa o Cristo instituiu a Eucaristia e compartilhou no Graal seu sangue salvador com toda a humanidade. E a partir disso o Gomor do Cristo tornou-se um dos principais objetivos dos Cavaleiros Cruzados que o buscavam como a Fonte da Juventude e até o Remédio para Todos os Males.

Como em todas as histórias universais que resistem a milênios, o arquétipo do Graal também possui dois significados: o primeiro é externo, religioso e mitológico, destinado àqueles que buscam benesses pessoais e para doutrinar aqueles que não estão maduros para ensinamentos mais profundos; o segundo aspecto é iniciático, de cunho espiritual e do trabalho interno que cada aspirante à Gnosis (sabedoria) deve empreender para conquistar elevados estados de desenvolvimento espiritual.

E justamente esta visão gnóstica do Graal como ferramenta de evolução espiritual pelo esforço individual é que constitui a essência dos Mistérios do Santo Graal, como ensinado por Samael Aun Weor, grande mestre gnóstico do século XX.

Como Arquétipo Iniciático, o Gomor pode ser visto de 3 formas: a primeira delas é como  receptáculo das energias de misericórdia que devem ser compartilhadas com toda a humanidade carente, como o fez o Cristo Jesus na Santa Ceia para tirar os pecados do mundo. Nesse aspecto estão contidos os arcanos do serviço desinteressado pela humanidade, mediante a caridade e o auxílio àqueles com fome não somente de pão físico, mas também de alimento de sabedoria.

O segundo aspecto misterioso da Santa Taça é como receptáculo craneano das energias sexuais que ascendem no aspirante aos Mistérios do Fogo, mediante o despertar, o desenvolver e o ascender da energia criadora transmutada. Por isso os santos cristãos têm auréolas, os iluminados budistas têm capacetes de mil pétalas e todo ser divino de outras culturas traz coroas e adornos luminosos na cabeça. Neste caso são exigidos disciplina sexual e amor pelo cônjuge, no exercício daquilo que a Gnose chama de Matrimônio Perfeito, Hierosgamos Iniciático ou prática legítima do Kundalini Yoga.

E o terceiro, e talvez mais velado e pouco conhecido aspecto do Santo Graal denota o correto uso da sagrada energia ígnea do ser humano, representada por suas secreções sexuais ou, na linguagem alquímica, seu Mercúrio Secreto. Nos manuais de Alquimia Medieval, nos códices de Taoismo Wai-Tan ou nos Livros de Tantrismo Branco, sempre a taça representa o correto direcionamento das energias sexuais para que o “cálice não derrame”, ou seja, para que não se desperdice torpemente o elixir da longa vida – nossa semente sexual. Neste sentido o cálice também denota receptividade, conservação, pureza e feminilidade, reportando-nos à Mulher e ao Aspecto Feminino da Divindade. Da mesma forma que a lança ou a espada, como arquétipos viris, nos reportam ao Homem e ao Aspecto Masculino de Deus.

Como reminiscência atávica dessa simbologia divina oculta, podemos compreender, por exemplo, a obstinação dos jogadores para conquistar a Copa do Mundo de Futebol, talvez em recordação inconsciente da lição iniciática de que “a divindade somente concede o Gomor da Vitória aos diligentes, preparados, valentes e vitoriosos”.

Sérgio Linke é engenheiro e instrutor da AGB