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25 maio 2014

Nossos Melhores Mestres

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Nossos Melhores Mestres

 

Quando contemplamos serenamente uma criança em qualquer situação, brincando ou dormindo, agitada ou tímida, curiosa ou surpresa, retornam ao nosso coração belas memórias da época em que não tínhamos preocupações, compromissos ou responsabilidades. Um tempo em que nos ocupávamos apenas de brincar e de estar com as pessoas com quem podíamos nos divertir. Um tempo de descobrir o mundo.

O que poucas pessoas sabem é que este arquétipo infantil de liberdade, de espontaneidade e de ludicidade está presente em todas as culturas e religiões como referência para a felicidade, para a divindade e para os paraísos celestiais.

Disse o Cristo Jesus nos evangelhos apócrifos (aqueles não alterados por algumas instituições religiosas): deixai vir a mim as criancinhas, pois é dos que são como elas que é o reino dos céus. Ou seja, os céus são para as pessoas – mesmo adultas, com estado de espírito infantil, livre, espontâneo.

Quem não se recorda do menino-azul Krishna, que travesso brincava com animais, plantas e riachos como se fossem seus amigos de infância e os tratava como irmãos menores?

Uma das principais virtudes das crianças é a confiança. Uma menina de oito anos não está preocupada se existe comida, se há abrigo, se haverá dinheiro para a roupa: ela simplesmente confia no provimento de seu pai e de sua mãe.

Outra característica admirável das crianças é a liberdade, manifesta como a intenção de tudo fazer, para agir e ser desprendido de tudo, não se incomodando com o que os outros dirão, qual será seu julgamento, quais os prejuízos futuros. Este desapego, esta livre-iniciativa, esta falta de amarras e de pré-conceitos deixa a criança livre para agir dentro de seus domínios. 

A espontaneidade nas crianças é algo divino. Elas não avaliam os impactos de suas falas, de seu jeito, de suas ações. São desprovidas de dogmas sociais e de convenções morais. Não estão preocupadas em magoar, em dissuadir, em não serem sinceras. Sinceridade e espontaneidade caminham juntas ao espírito infantil.

Entre tantas, talvez a pureza das crianças seja a virtude que nós adultos mais admiramos. Uma menina de dois anos, por exemplo, parece um ser que acabou de sair do paraíso: não julga, não compara, não se preocupa. Sua função é brincar e descobrir o mundo; dormir para crescer e sonhar livremente… Aprender a viver e a ser feliz. 

Ocorre que com o tempo, com os maus exemplos, com a rudeza do mundo, com a exploração pelos adultos, com a formação da personalidade e a manifestação do ego, as crianças deixam esse estado elevado de consciência e se tornam desconfiadas, presas, condicionadas e impuras. Perdem o estado edênico.

Isso também é devido à má educação psicológica dada pelos adultos: ao invés de ensinarmos as crianças com o exemplo, as forçamos a fazer coisas que nós mesmos não fazemos; ao invés de mostrarmos para elas como é melhor não julgar os outros, respeitando-os em suas opções e limitações, nós, adultos, desde cedo plantamos nas mentes e corações infantis os vermes do julgamento dos demais, da comparação, da maledicência…

Este é o mundo que estamos criando. Com nossos maus exemplos.

Talvez por isso os Mestres da Humanidade sempre se referem às crianças para dar uma idéia aos adultos do que é o paraíso e do que é uma consciência livre. Ensinam como conquistar o espírito infantil, enriquecido com a experiência e a sagacidade do adulto.

A gnose, como busca pela sabedoria sintética, divulga técnicas especiais para que conquistemos este estado infantil, mediante o despertar da consciência e a busca pelo Íntimo ou Essência, ou, nas palavras de Samael Aun Weor – mestre gnóstico do século XX, este “Ser dentro de nós que é um verdadeiro exército de puras crianças”.

 

Sérgio Geraldo Linke

Instrutor da Associação Gnóstica de Brasília