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11 ago 2021

Aromaterapia Gnóstica: A Metafísica Alquímica dos Óleos Essenciais (Parte I)

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AROMATERAPIA GNÓSTICA:
A METAFÍSICA ALQUÍMICA DOS ÓLEOS ESSENCIAIS (PARTE I)

A importância dos Aromas

Se pararmos para pensar na evolução do ser humano e das civilizações, encontraremos o olfato como um dos sentidos mais importantes para a sobrevivência (busca e seleção de alimento), para a sociabilidade (afinidade entre indivíduos) e, claro, até para a reprodução de nossa espécie. Sem olfato provavelmente já teríamos morrido intoxicados, ou queimados sem percepção prévia de um incêndio, ou frequentando locais insalubres e cheios de doenças e, ainda, não teríamos as ternas lembranças dos aromas da infância, da comida da mãe, da avó, além das primeiras investidas de amor da puberdade, sempre impregnadas de aromas juvenis. Mesmo com a moderna sociedade digital, nossa sensação aos cheiros continua essencial à nossa humanidade e à integração com a natureza e com outros seres.
Imprescindível à nossa sobrevivência e reprodução, o uso dos aromas evoluiu para reverenciar as forças da natureza e as divindades (a utilização de incensos, por exemplo, é tradicional em todas as religiões), para deixar agradáveis os ambientes (todas as casas e palácios sempre foram limpos e perfumados constantemente) e, muito importante e foco desse nosso artigo, para colaborar no tratamento de inúmeros distúrbios de saúde, tanto físicos quanto psicológicos e espirituais.
Portanto, como vivemos todos no meio aéreo da atmosfera que nos rodeia, compartilhando micropartículas portadoras de substâncias químicas que chamamos de cheiros, os aromas são um importante vetor de relacionamento entre todos os seres.
E o ser humano, com sua inteligência e capacidade de bem utilizar as forças e energias da natureza, pode valer-se com sabedoria e eficiência dessas dádivas olorosas brindadas por madeiras, cascas, resinas, folhas, sementes, flores, especiarias, frutos e tantas outras.

Um pouco de História da Aromatologia
É intuitivo para qualquer povo colocar madeiras e folhas aromáticas no fogo para obter odores agradáveis ou para afastar insetos, levando-nos à conclusão que as primeiras utilizações dos aromas vêm desde os primeiros seres humanos que habitaram o planeta.
Entretanto, os registros escritos do uso de aromas, normalmente para fins cerimoniais, cosméticos e terapêuticos, encontram-se em várias civilizações, como a egípcia, a chinesa, a indiana, a mesopotâmica, a grega e a maia.
No Antigo Egito, por exemplo, há fórmulas aromaterápicas em muitos papiros e hieróglifos de templos, sendo ampla a utilização de flores, frutos e madeiras no Vale do Nilo para várias finalidades. O Kiphy, perfume dos deuses, continha 22 essências sagradas, muitas delas secretas até hoje. Na tumba do Rei Tutancâmon, descoberta intacta por arqueólogos em 1.922, foram encontrados frascos de perfumes mágicos onde ainda remanescia, depois de 3.300 anos, as fragrâncias utilizadas pela família real dos faraós. Contam as tradições que este mesmo perfume misterioso foi usado por Cleópatra, tanto para se proteger quanto para seduzir vários homens de sua vida, inclusive imperadores romanos.
Na Antiga China, também há quase 4 milênios, óleos essenciais eram extraídos de plantas por maceração, para serem utilizados em massagens terapêuticas.
Na Grécia de Hipócrates, o Pai da Medicina, quatro séculos antes de Cristo já se usavam plantas e óleos essenciais, tendo o mestre grego descrito a terapia com mais de 300 plantas e essências vegetais.
Dentre os povos mesopotâmicos (atual região do Irã e Iraque) como Sumérios, Caldeus e Babilônicos, os aromas eram usados em todas as cerimônias civis públicas e rituais aos deuses, sendo crime, por exemplo, adulterar a pureza das essências aromáticas.
Provinda dessas tradições mesopotâmicas (o patriarca judaico-cristão-islâmico Abraão era de Ur, cidade Suméria próxima à confluência dos rios Tigre e Eufrates), o uso dos aromas está amplamente registrado na Bíblia, por exemplo, onde os antigos reis hebreus contavam em suas riquezas com inúmeros perfumes raros e caros. No Velho Testamento há outra referência à importância divina que davam os povos aos eflúvios aromáticos: em Êxodo 30:23 existe a descrição completa de uma fórmula de incenso. E esta importância se repete no Novo Testamento, como na narrativa em que Jesus tem seus pés ungidos por Maria Magdalena com óleo de Nardo (caríssimo na época e até hoje muito raro e procurado), numa espécie de preparação purificatória para os dias da Páscoa.
Avicena, sábio persa do ano 1.000 d.C. e grande alquimista islâmico, utilizou intensamente a fitoterapia e a aromaterapia em suas práticas, tendo influenciado várias universidades europeias até hoje. Ibn Sina, como era chamado em persa, listou centenas de fármacos e as suas virtudes terapêuticas, ordenando-os alfabeticamente em seu Al Qanun, o Cânone da Medicina.
Por acreditarmos que já são suficientes os exemplos da importância dos aromas nas tradições de todos os povos, vamos somente citar mais o caso do famoso incenso maia-asteca chamado de Copal, a resina de uma árvore aromática que era usada para intermediar o contato com os deuses.  Imagine, caro leitor, cidades antiquíssimas com monumentais pirâmides em pedra, onde a população inteira realizava festivais e ritos para os deuses, com uma atmosfera aromática e sublime catalisada com eflúvios do copal…
Nesta breve viagem histórica não podemos deixar de citar um dos mais importantes contribuidores na idade moderna, René Gatefossé, químico francês que introduziu o termo Aromaterapia em 1.937, publicando seu monumental e histórico “Aromathérapie – Les Uiles Essentialles – Hormones Végétales”.

O que é um Óleo Essencial
Apesar de praticamente tudo na natureza ter seu cheiro, mesmo que nós humanos não os percebamos, para essas aplicações descritas anteriormente houve a necessidade de se preservar e concentrar as substâncias aromáticas. Surgiram então os óleos essenciais, que são líquidos potentes obtidos (por prensagem, extração “enfleurage” ou destilação) de flores, folhas, madeiras, frutas, raízes e resinas.
Uma planta é um maravilhoso laboratório alquímico, que se nutre basicamente de luz e calor (fogo), água, sais minerais (terra) e oxigênio (ar), formando seu corpo vegetal de onde podem ser extraídos os chamados óleos essenciais. Utilizando uma linguagem alquímica, podemos dizer que o óleo aromático é a Quintessência (quinta essência ou extrato), provinda das 4 anteriores ou primordiais – terra, fogo, água e ar), o elixir supremo de uma planta. Por isso os alquimistas persas diziam que no óleo essencial encontra-se a Alma, a Essência literalmente, da planta.
Uma planta, como qualquer organismo vivo que evoluiu durante bilhões de anos e que, sabemos na gnose, possui uma energia inteligente ou elemental, tem várias funções vitais fantásticas, as quais são expressas em síntese nos seus óleos essenciais. Na relação abaixo você até consegue visualizar a possibilidade de ação de um óleo essencial no corpo humano, com base no que ele faz no corpo da planta. Veja 7 dessas incríveis funções: (I) atrair insetos para polinização ou afastar pragas; (II) atrair animais que com suas fezes poderão dispersar sementes; (III) curar ferimentos através de resina; (IV) regular o teor de água nos diferentes tecidos; (V) evitar evaporação; (VI) avisar outras plantas da presença de predadores para que elas também secretem suas proteções; (VII) produzir substâncias tóxicas a bactérias, vírus e fungos (antibióticos, antivirais e vacinas naturais).
Se um óleo essencial faz tudo isso numa planta, imagine o que pode fazer em você… É mesmo de se reverenciar a Mãe Natureza !!!
Do ponto de vista químico, um óleo essencial pode conter dezenas e até centenas de complexas substâncias. É uma fina, bem elaborada e maravilhosa combinação vibrante, um verdadeiro elixir, cheio de energia e harmonia. É a própria vida em essência da planta, uma bênção de Gaia – a Mãe Terra para os gregos.
O óleo essencial de rosa, por exemplo, pode conter até 300 diferentes substâncias, dentre monoterpenos, diterpenos, álcoois, ácidos, aldeídos, cetonas, lactonas, cumarinas, ésteres, fenóis etc. Uma farmacopeia alquímica completa.
Essências e substâncias sintéticas, fabricadas em laboratório, apesar de poderem imitar e lembrar a sensação química de um cheiro, nada têm dessa complexa força vital bioquímica e espiritual, por isso não devem ser usados sintéticos na aromaterapia.
O grande segredo da Alquimia Aromática é justamente saber escolher a planta, a época e o procedimento para colhê-la respeitosamente, extrair o óleo, conservar o extrato, prepará-lo de forma química e mágica (nele despertando suas energias espirituais invisíveis).
Depois ainda, ensina a Aromatologia Gnóstica, saber a aplicação exata desse extrato mágico. Cada vegetal tem sua energia e sua aplicação específica.
Como bem professou o sábio gnóstico Samael Aun Weor “cada planta, cada árvore tem sua própria alma e seu próprio espírito”.
No próximo texto, a 2ª parte deste artigo, abordaremos as 3 Dimensões da Aromatologia Gnóstica, veremos como utilizar os óleos essenciais e estudaremos 4 óleos quintessenciais específicos e muito poderosos – um verdadeiro Kit Essencial.
Venha conosco neste viagem mágico-alquímica-aromática que pode alimentar e sanar seu corpo, sua mente, suas emoções e sua Alma Luminosa.

Sergio Linke é engenheiro eletrônico, estudioso de aromaterapia e instrutor de gnose